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Após o cancro pediátrico, o stress e a ansiedade podem continuar em crianças e pais

Mesmo depois de terminados os tratamentos, muitas famílias continuam a lidar com consequências emocionais importantes. Um estudo publicado na revista Pediatric Research analisou sintomas de stress pós-traumático, depressão e ansiedade em sobreviventes de cancro pediátrico e nos seus pais, pelo menos um ano após o fim da terapêutica.

O que foi estudado?

A investigação incluiu 118 sobreviventes de cancro pediátrico, com idades entre sete e 21 anos, e os respetivos pais. Todos estavam em fase de seguimento, pelo menos um ano após a conclusão do tratamento.

O estudo foi realizado no Sheba Medical Center (Israel) e contou com colaboração da Bar-Ilan University (Israel).

Principais resultados

Sintomas de stress pós-traumático (PTSD/PTSS):

  • Critérios compatíveis com PTSD foram encontrados em 8,7% das crianças/jovens e em 18,3% dos pais.
  • Cerca de um terço reportou sintomas de stress pós-traumático (mesmo sem cumprir critérios completos de PTSD).

Depressão (moderada a grave):

  • 22% nas crianças/jovens
  • 7,6% nos pais

Ansiedade (moderada a grave):

  • 12,7% nas crianças/jovens
  • 22% nos pais

De forma geral, depressão, ansiedade e sintomas de stress pós-traumático surgiram frequentemente em conjunto— tanto nas respostas das crianças/jovens como nas dos pais.

Um dado particularmente relevante

Quando os pais avaliavam o sofrimento emocional dos filhos, essa perceção estava mais ligada ao seu próprio estado emocional do que ao que as crianças/jovens diziam sentir. Isto sugere que, em alguns casos, o sofrimento dos pais pode influenciar a forma como interpretam o bem-estar dos filhos.

O que pode aumentar o risco de sintomas de stress pós-traumático?

O estudo identificou vários fatores associados a maior risco, incluindo:

  • tempo desde o diagnóstico
  • nível de escolaridade dos pais
  • sexo do progenitor
  • tipo de cancro pediátrico
  • níveis mais elevados de ansiedade e depressão

Porque é importante?

Os autores defendem que o seguimento em oncologia pediátrica deve incluir, de forma sistemática:

  • rastreio emocional de crianças/jovens e pais
  • valorização do relato direto da criança/jovem (não apenas a perceção dos pais)
  • apoio psicossocial contínuo e adaptado às necessidades de cada família, ao longo da fase de sobrevivência

Este estudo reforça uma mensagem simples: terminar o tratamento não significa, necessariamente, terminar o impacto emocional — e reconhecer isso é um passo essencial para apoiar melhor as famílias.

Fonte: Nature

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