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Cancro cerebral: cobre pode influenciar resistência a imunoterapia

Cientistas australianos descobriram que a eliminação do cobre da corrente sanguínea pode ajudar no tratamento de alguns dos mais agressivos tipos de cancro cerebral, a sua maioria resistentes à imunoterapia.

A imunoterapia, um tratamento oncológico que atua através do sistema imunitário de forma a eliminar as células cancerígenas, provou ser bastante benéfico para muitos pacientes com cancro, oferecendo, a muitos deles, uma real possibilidade de cura.

Publicada na revista científica Cancer Research, a pesquisa foi realizada por uma equipa do Children’s Cancer Institute, na Austrália, liderada pelo investigador Orazio Vittorio.

“Sabíamos que as células cancerígenas, nomeadamente em diagnósticos de cancro cerebral, se alimentam de cobre”, disse o cientista, explicando que “muitas vezes, as células tumorais têm até seis vezes mais cobre do que os níveis considerados normais em células saudáveis”.

Ao todo, os investigadores, “juntamente com a preciosa ajuda da professora Maria Kavallaris”, analisaram amostras tumorais de mais de 180 pacientes pediátricos; cerca de metade dos participantes havia sido diagnosticada com neuroblastoma, os restantes com gliomas de vários tipos.

“Qualquer um dos cancros estudados possui taxas de mortalidade bastante elevadas, o que acaba por ser o reflexo do facto de serem muito resistentes aos tratamentos, nomeadamente à imunoterapia”.

Segundo dados fornecidos pelos investigadores, o neuroblastoma é responsável por 15% do total de mortes por cancro infantil; mais, apenas 50% dos pacientes com neuroblastoma de alto risco sobrevivem à doença.

Só 5% dos pacientes com glioblastoma sobrevivem até 5 anos após o diagnóstico, o que faz com que, “comparado com todos os outros tipos de cancro, este seja o que tem as taxas de sobrevivência mais baixas”.

De acordo com Orazio Vittorio, tanto o neuroblastoma como o glioblastoma expressam o gene PD-L1 de forma a “esconderem-se do sistema imunitário. É isso que os torna tão agressivos e mortais”.

Ao observarem biópsias humanas, os investigadores encontraram uma correlação entre níveis de cobre elevados e um aumento da expressão de PD-L1.

“Pela primeira vez”, afirmou Orazio Vittorio, “fomos capazes de mostrar que os níveis de cobre podem influenciar a expressão do PD-L1 nas células cancerígenas”; ou seja, quanto maiores forem os níveis de cobre, maiores os níveis de expressão de PD-L1.

A partir dai, os cientistas começaram a utilizar um análogo de um fármaco, intitulado TETA, atualmente utilizado no tratamento da doença de Wilson, uma doença genética rara caracterizada pelo excesso de cobre armazenado em vários tecidos do corpo.

O fármaco foi usado em modelos animais de neuroblastoma e glioblastoma de forma a reduzir os níveis de cobre nas células tumorais, e “isso levou a uma redução na expressão de PD-L1”.

“Quando as cobaias foram sujeitas a imunoterapia, houve uma redução significativa no tamanho dos tumores. Tendo em conta que o fármaco a que recorremos já é amplamente utilizado no tratamento de várias condições clínicas, já para não dizer que é barato e fácil de fabricar, acreditamos que as nossas descobertas podem vir a fornecer uma alternativa de tratamento viável para os cancros que, atualmente, são resistentes à imunoterapia”.

                                                                                                                         Dr. Orazio Vittorio, Children’s Cancer Institute

Esta investigação contou com o apoio de várias outras instituições, incluindo o Peter MacCallum Cancer Center e a Universidade de Bolonha, em Itália.

Fonte: Children’s Cancer Institute / News Medical

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