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Nova abordagem consegue bloquear crescimento de meduloblastoma

Investigadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, identificaram uma potencial abordagem para interromper o crescimento do tipo mais comum de tumor cerebral em crianças: o meduloblastoma.

Em declarações à Development, os cientistas explicaram que, ao bloquear um sinal chamado GSK-3, conseguiram controlar o crescimento do tumor num subtipo de meduloblastoma; estas descobertas pré-clínicas podem fornecer pistas para uma possível nova estratégia de tratamento direcionado.

“Este trabalho pode levar à descoberta de novos dados sobre malformações cerebrais do desenvolvimento e também a novos tratamentos para o meduloblastoma que podem poupar os pacientes aos graves efeitos secundários da radioterapia e da quimioterapia típica”, disseram os investigadores.

Atualmente, 80% das crianças diagnosticadas com meduloblastoma sobrevivem, mas os investigadores acreditam que é necessário melhorar as terapias para limitar os efeitos secundários debilitantes desses tratamentos, bem como desenvolver tratamentos que funcionem para crianças cujo cancro não responde ao tratamento.

“Para um dos subtipos mais comuns de meduloblastoma, descobrimos que podemos direcionar uma via de sinalização para bloquear o crescimento de tumores. Ao direcionar esse caminho, achamos que essa seria uma maneira de evitar os efeitos da radioterapia e da quimioterapia, pois estamos a bloquear o crescimento em vez de eliminar essas células.

Nos estudos de laboratório, os cientistas concentraram-se num subtipo de tumor responsável por cerca de um terço dos casos de meduloblastoma; nesse tipo de tumor cerebral, o sinal celular Sonic Hedgehog ajuda a disparar uma série de sinais no desenvolvimento de células cerebrais que levam a um crescimento excessivo de neurónios no cerebelo, que controla o equilíbrio, a fala e outras atividades.

Quando os cientistas usaram a engenharia genética para remover o GSK-3 antes da formação de tumores em modelos laboratoriais de meduloblastoma, descobriram a regulação positiva de outros sinais, incluindo um importante chamado WNT, que instruía as células que formam tumores a parar de se dividir.

O resultado foi que, ao inativar geneticamente o GSK-3 em ratos, os cientistas conseguiram impedir o crescimento do tumor. Em seguida, os investigadores testaram um medicamento chamado CHIR98, que também bloqueia o GSK-3, e descobriram que este impedia o crescimento de células tumorais.

Os investigadores apelidaram estas descobertas de “surpreendentes”, porque outros estudos mostraram que o bloqueio do GSK-3 realmente estimula o crescimento em outras partes do cérebro. Contudo, os cientistas alertaram que, embora esse tratamento possa ser promissor para um subtipo específico de meduloblastoma, também pode impulsionar o crescimento de outros cancros cerebrais, incluindo outros subtipos de meduloblastoma.

“Em outras áreas do cérebro, partes dessa via de sinalização são importantes para promover o crescimento. Acreditamos que isso esteja relacionado com os tipos de células presentes no meduloblastoma; as células progenitoras não são exatamente as mesmas. Essas células no cerebelo têm reguladores diferentes das células do cérebro anterior e respondem de maneira diferente aos mesmos sinais”.

Os cientistas já começaram a trabalhar para avaliar ainda mais esse tipo de tratamento em modelos de laboratório.

Para os investigadores, o objetivo é encontrar terapias que aumentem as taxas de sobrevivência do meduloblastoma e tornar a terapia menos tóxica.

Fonte: Eurekalert

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