De acordo com uma nova investigação, os defeitos congénitos podem ter uma associação com o cancro infantil.
Os resultados estimam que a prevalência geral de cancro infantil atribuída a defeitos congénitos é de 9,2%; ainda assim, o risco absoluto de cancro em crianças com qualquer defeito congénito permanece nos 1%.
Anormalidades cromossómicas têm sido associadas ao aumento do risco de cancro, mas novas investigações mostraram que as anormalidades não-cromossómicas também podem aumentar esse risco; o estudo, publicado na revista JAMA Oncology, procurou quantificar esse risco.
A investigação usou dados de mais de 10 milhões de crianças nascidas no Texas, Arkansas, Michigan e Carolina do Norte, nos Estados Unidos, entre 1992 e 2013. As crianças foram acompanhadas durante 18 anos para rastrear diagnósticos de cancro.
No total, quase 540 mil crianças nasceram com um defeito congénito e cerca de 15 mil foram, posteriormente, diagnosticadas com cancro.
O estudo mostrou que, em comparação com crianças que nasceram sem defeitos congénitos, crianças com anomalias cromossómicas tinham 11,6 vezes mais probabilidade de serem diagnosticadas com cancro; crianças com defeitos congénitos não cromossómicos tinham 2,5 vezes mais propensão a serem diagnosticadas com cancro antes dos 18 anos de idade.
Os cientistas também descobriram que as crianças que nasceram com mais de um defeito congénito não cromossómico tiveram aumentos correspondentes no risco de cancro à medida que o número de defeitos aumentou. Por exemplo, crianças com 4 ou mais defeitos congénitos tinham 5,9 vezes mais probabilidade de serem diagnosticadas com cancro do que aquelas que nasceram sem defeitos congénitos.
“Conseguimos observar um aumento do risco para vários tipos de cancro infantil, como tumores de células germinativas e tumores embrionários, como o hepatoblastoma e o neuroblastoma, entre crianças com defeitos congénitos estruturais não cromossômicos”, disseram os investigadores.
“Também verificámos que o risco de cancro durante a infância aumentou em proporção ao número de defeitos congénitos com que a criança nasceu”.
Os cientistas esperam que os resultados do estudo levem à criação de novas pesquisas que possam melhorar a deteção e o prognóstico de cancro.
O estudo revelou vários riscos por tipos específicos de cancro e grupos de defeitos congénitos; por exemplo, os tumores ósseos não foram associados a nenhum defeito congénito, e os tumores de células germinativas foram associados a defeitos em múltiplos sistemas de órgãos.
Houve também 5 associações específicas entre anormalidades cromossómicas ou distúrbios de genes únicos e cancro infantil: por exemplo, o hepatoblastoma foi associado a crianças com trissomia do cromossoma 18 e a leucemia mieloide aguda a crianças com trissomia do cromossoma 21.
Fonte: Contemporary Pediatrics