Search

Medicamento protege o coração durante anos após o tratamento do cancro pediátrico

Um medicamento utilizado para proteger o coração durante a quimioterapia pode ter benefícios que se mantêm durante mais de 15 anos após o tratamento do cancro pediátrico.

Um estudo publicado no  ⁠Journal of Clinical Oncology acompanhou sobreviventes de cancro pediátrico tratados com doxorrubicina, um tipo de quimioterapia da classe das antraciclinas que, apesar da sua eficácia contra diferentes tipos de cancro, pode provocar danos no coração.

Os investigadores concluíram que as pessoas que receberam dexrazoxano durante o tratamento apresentavam, muitos anos depois, indicadores de saúde cardíaca mais favoráveis.

Proteger o coração durante a quimioterapia

A doxorrubicina é utilizada no tratamento de diferentes leucemias, linfomas e sarcomas pediátricos. No entanto, como acontece com outros medicamentos de quimioterapia, a sua ação não se limita às células tumorais e pode afetar células saudáveis.

No caso das antraciclinas, uma das principais preocupações é o coração. A longo prazo, estes medicamentos podem provocar alterações que enfraquecem o músculo cardíaco e aumentam o risco de insuficiência cardíaca.

O dexrazoxano foi desenvolvido precisamente para ajudar a proteger o tecido cardíaco destes efeitos.

Para perceber se essa proteção se mantém ao longo dos anos, investigadores da  ⁠University of Florida College of Medicine (EUA), do ⁠Fred Hutchinson Cancer Center (EUA) e da  ⁠University at Buffalo (EUA) acompanharam cerca de 900 sobreviventes de cancro pediátrico até à idade adulta.

Entre os participantes, 230 foram acompanhados durante pelo menos 10 anos e quase 200 durante mais de 15 anos. Cerca de metade tinha recebido dexrazoxano durante o tratamento.

Corações mais saudáveis mais de 15 anos depois

Os ecocardiogramas realizados vários anos após o fim da terapêutica mostraram que os participantes que tinham recebido dexrazoxano apresentavam uma função cardíaca significativamente mais favorável.

Em muitos casos, estes sobreviventes puderam mesmo ser classificados como tendo um risco moderado de problemas cardíacos, em vez de um risco elevado.

Os resultados reforçam, assim, a evidência de que a proteção proporcionada pelo dexrazoxano durante o tratamento pode prolongar-se por muitos anos.

No futuro, esta informação poderá também ajudar a definir de forma mais individualizada o acompanhamento cardíaco dos sobreviventes. Os investigadores admitem que algumas pessoas que receberam dexrazoxano poderão eventualmente necessitar de ecocardiogramas com menor frequência, embora sublinhem que são necessários mais estudos antes de alterar as atuais recomendações de vigilância.

A equipa pretende continuar a acompanhar estes sobreviventes para compreender como evolui a sua saúde cardiovascular à medida que envelhecem, incluindo quando chegarem aos 50 e 60 anos.

O estudo contou com apoio dos ⁠National Institutes of Health (EUA) e do  ⁠Children’s Oncology Group (EUA).

Fonte: Technology Networks

Explore
Drag