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Produção local de células CAR-T reduz tempo de espera para três semanas

A produção de células CAR-T dentro do próprio hospital permitiu reduzir para cerca de três semanas o tempo entre a recolha das células e o tratamento de doentes com leucemia ou linfoma refratário.

O estudo CARTHIAE foi desenvolvido no Hospital Israelita Albert Einstein (Brasil). Neste modelo, as células T do próprio doente são recolhidas por aférese e modificadas no hospital para reconhecer a proteína CD19, presente em algumas doenças oncológicas do sangue. Ao evitar o envio das células para unidades de fabrico nos Estados Unidos ou na Europa, eliminam-se atrasos logísticos e administrativos.

Nos modelos internacionais, o intervalo entre a recolha e a infusão pode variar entre quatro e oito semanas. No Brasil, devido a processos administrativos e decisões judiciais necessárias para garantir a cobertura do tratamento, o tempo de espera pode chegar a quatro a seis meses.

No estudo, o tempo mediano entre a recolha das células e a infusão foi de 22,3 dias – cerca de três semanas.

Quem participou no estudo?

Foram avaliados 18 doentes; sete não reuniam critérios para avançar. No total, 11 receberam a infusão de células CAR-T.

Entre estes doentes, com idades entre os nove e os 69 anos, encontravam-se casos de:

  • Leucemia linfoblástica aguda
  • Leucemia linfocítica crónica
  • Linfoma não Hodgkin

Todos tinham doença refratária ou em recidiva após várias linhas de tratamento.

Resultados clínicos

A produção das células foi bem-sucedida em todos os casos.

A taxa de resposta global foi de 81%. Verificou-se remissão completa em 72% dos doentes.

Após um acompanhamento mediano de 11 meses:

  • Sete dos 11 doentes estavam vivos e sem progressão da doença
  • A sobrevivência livre de progressão foi de 71%
  • A sobrevivência global foi de 80%

Embora o estudo inclua adultos, esta tecnologia é também utilizada no tratamento de situações de CANCRO PEDIÁTRICO, nomeadamente em leucemias e linfomas de difícil controlo, sendo o tempo de acesso um fator crítico nestes casos.

Efeitos adversos

As complicações observadas foram semelhantes às descritas na literatura internacional:

  • Síndrome de libertação de citocinas em 90% dos doentes (formas graves em 9%)
  • Neurotoxicidade em 45% (formas mais graves em 27%)
  • Infeções em 72%

Todos os eventos foram considerados reversíveis, mas exigiram acompanhamento especializado. Muitos doentes necessitaram de transfusões e vigilância clínica intensiva.

Porque é relevante?

A produção hospitalar de células CAR-T já é estudada em centros académicos nos EUA e na Europa. No Brasil, esta estratégia surge como resposta direta ao elevado custo e ao tempo de espera associados aos produtos importados, cujo preço pode variar entre dois e três milhões de reais por doente.

O programa contou com apoio do Ministério da Saúde do Brasil e validação da autoridade reguladora nacional.

O estudo demonstrou três pontos fundamentais:

  • A produção local é tecnicamente possível
  • O tempo de espera pode ser reduzido de quatro a oito semanas para cerca de três semanas
  • Os resultados clínicos são comparáveis aos internacionais

Para famílias de crianças e jovens com CANCRO PEDIÁTRICO elegíveis para terapias celulares, a redução do tempo até ao tratamento pode ser determinante. O desafio passa agora por garantir que modelos como este se tornem sustentáveis e acessíveis de forma continuada.

Fonte: Medscape

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