As complicações orais continuam a ser um dos principais desafios no tratamento da leucemia pediátrica, apesar dos avanços nos cuidados oncológicos. Ulcerações, mucosite, boca seca e infeções são frequentes e podem afetar não só o conforto da criança, como também a sua nutrição, comunicação e adesão ao tratamento.
Uma revisão recente da literatura científica reuniu as melhores práticas e evidência atual sobre como prevenir e gerir estas complicações orais, destacando a importância de uma abordagem multidisciplinar — com dentistas, oncologistas e cuidadores a trabalharem em conjunto desde o diagnóstico até à sobrevivência.
Segundo os autores, os sintomas orais podem mesmo ser os primeiros sinais da doença. Por exemplo, nas crianças com leucemia mieloide aguda (LMA), o aumento da gengiva, hemorragias espontâneas ou feridas persistentes na boca podem surgir antes de qualquer análise laboratorial. Já nos casos de leucemia linfoblástica aguda (LLA), as complicações tendem a aparecer após o início da quimioterapia, devido à toxicidade do tratamento e à baixa imunidade.
As consequências vão além do desconforto imediato. Se a quimioterapia for administrada numa fase crítica do desenvolvimento dentário, pode causar problemas a longo prazo como dentes com raízes mais curtas, defeitos no esmalte, atraso na erupção ou alterações no crescimento facial — situações que exigem cuidados dentários e ortodônticos contínuos durante e após o tratamento.
Entre as recomendações práticas destacam-se:
- Avaliação oral completa antes do início da quimioterapia
- Remoção de dentes com infeções ou risco elevado
- Adaptação de aparelhos dentários
- Higiene oral cuidada durante todas as fases do tratamento
- Consultas regulares com o/a dentista, idealmente de três em três meses
As equipas de saúde devem também estar preparadas para ajustar o cuidado oral de acordo com o tipo de tratamento, a idade da criança e o estado do seu sistema imunitário.
Por fim, sublinha-se que a prevenção e a deteção precoce de complicações orais podem melhorar significativamente o percurso do tratamento oncológico, reduzindo interrupções e melhorando a qualidade de vida das crianças com cancro pediátrico.
Fonte: CUREUS