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Fármaco que corta o “abastecimento” dos tumores pode prolongar a vida de crianças com cancro ósseo

Um pequeno estudo realizado no Instituto da Mãe e da Criança de Varsóvia (Polónia) mostrou resultados promissores no tratamento de sarcoma de Ewing metastático, um tipo raro e agressivo de cancro pediátrico dos ossos. O medicamento pazopanib, originalmente desenvolvido para tratar cancro renal, foi administrado a 11 crianças e adolescentes com doença avançada. Dois anos após o início do tratamento, 85% estavam vivos, e cerca de dois terços sem progressão da doença.

Os resultados, publicados na revista Frontiers in Oncology, trazem um novo alento para famílias e profissionais de saúde que enfrentam este tipo de tumor, cuja taxa de sobrevivência a cinco anos, quando há metástases, é inferior a 25%.

Como funciona o tratamento

O pazopanib é um comprimido oral que bloqueia o crescimento de novos vasos sanguíneos necessários para alimentar o tumor. Ao “cortar o abastecimento”, o tumor fica mais frágil e mais sensível à quimioterapia e à radioterapia. Acredita-se que esta abordagem, quando combinada com os tratamentos habituais, possa melhorar os resultados.

Entre 2016 e 2024, 11 crianças com idades entre os 5 e os 17 anos receberam pazopanib, além da terapêutica padrão. O fármaco foi administrado durante e após a quimioterapia, exceto em momentos de cirurgia ou quando surgiam efeitos secundários relevantes. Em média, os doentes tomaram pazopanib durante 1,7 anos, e seis continuavam a tomar o medicamento no momento da publicação do estudo.

Quase todos os doentes responderam positivamente ao tratamento. Houve apenas um caso de progressão da doença, dois casos de recaída e uma criança que infelizmente não sobreviveu. Dez continuam vivos.

Resultados encorajadores, mas com cautela

O estudo registou uma taxa de sobrevivência global aos dois anos de 85,7% e estabilização da doença em 68,2%dos casos. Os efeitos secundários foram considerados leves e tratáveis, o que reforça o potencial do medicamento como opção segura para uso pediátrico em doentes com doença metastática.

Apesar dos resultados animadores, os investigadores sublinham que são necessários ensaios clínicos maiores e controlados para confirmar os dados. O sarcoma de Ewing metastático é muito raro, o que dificulta a realização de estudos de larga escala. Ainda assim, os autores incentivam a comunidade científica a considerar o pazopanib como opção complementar nos casos mais graves, enquanto se aguardam novas terapias.

“Estes dados abrem a porta a terapias dirigidas mais cedo no percurso da doença, o que pode melhorar a sobrevivência e a qualidade de vida das crianças”, afirmou Anna Raciborska, autora principal do estudo.

A equipa espera que programas europeus futuros possam financiar investigações multicêntricas para validar esta abordagem e, eventualmente, integrá-la nos protocolos de tratamento do sarcoma de Ewing em fase metastática.

Fonte: Medical Xpress

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