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Estudo alerta para o impacto da radiação médica no aumento de cancros pediátricos

Um estudo realizado por investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis) concluiu que até 10% dos cancros do sangue e da medula óssea em crianças e adolescentes podem estar relacionados com a exposição à radiação proveniente de exames médicos de imagem, como as tomografias computorizadas (TC).

A investigação, publicada na revista The New England Journal of Medicine, analisou dados de quase quatro milhões de crianças e adolescentes tratados em seis sistemas de saúde dos Estados Unidos e do Canadá (Ontário).

Os resultados indicam que cerca de três mil casos de cancro pediátrico poderão ter origem em radiação médica, sendo o risco proporcional à dose acumulada recebida ao longo do tempo.

Risco mais elevado nas tomografias

As tomografias (TC) são exames fundamentais para o diagnóstico e tratamento de diversas doenças, mas representam uma das principais fontes de radiação ionizante — um agente cancerígeno conhecido.

De acordo com os investigadores, uma ou duas tomografias à cabeça aumentam o risco de desenvolver um cancro hematológico em 1,8 vezes, subindo para 3,5 vezes em crianças que realizaram vários exames.

O estudo mostra também que cerca de um quarto dos casos de cancro hematológico registados após tomografias à cabeça pode estar associado à radiação destes exames. Já as radiografias, embora muito mais comuns, implicam doses de radiação bastante inferiores e representam um risco mínimo.

No total, foram diagnosticados 2 961 cancros hematológicos ao longo do estudo — 79% de origem linfóide e 15% de origem mielóide ou leucémica. Aproximadamente metade dos casos foi identificada em crianças com menos de cinco anos.

Crianças mais vulneráveis à radiação

As crianças são particularmente sensíveis à radiação, devido à sua maior radiossensibilidade e à esperança média de vida mais longa. “Os exames de imagem podem salvar vidas, mas é essencial reduzir a exposição à radiação sempre que possível”, sublinha Rebecca Smith-Bindman, autora principal do estudo e professora de Epidemiologia e Bioestatística na UCSF.

A especialista defende que os exames devem ser realizados apenas quando forem estritamente necessários e, sempre que possível, substituídos por técnicas não ionizantes, como a ecografia ou a ressonância magnética, que não envolvem radiação.

Reduzir exames desnecessários

Os investigadores estimam que até 10% dos cancros hematológicos em crianças e adolescentes poderiam ser prevenidos através da redução de exames desnecessários e da utilização de doses mais baixas de radiação.

“Este estudo fornece evidência robusta de uma relação direta entre a dose de radiação e o risco de desenvolver cancro do sangue em idade pediátrica”, reforça Diana Miglioretti, investigadora da UC Davis.

Os autores destacam que os benefícios do diagnóstico por imagem continuam a ser indiscutíveis, mas alertam para a importância de encontrar um equilíbrio entre a utilidade clínica e os potenciais riscos a longo prazo, adaptando sempre os protocolos de imagem à idade e às necessidades específicas de cada criança.

Fonte: UCSF

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