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Medicamento para psoríase pode ser utilizado no tratamento do osteossarcoma

Um tratamento para a psoríase pode ser reaproveitado para tratar uma forma rara, mas agressiva, de um cancro que afeta maioritariamente crianças, sugere um estudo realizado pelo Garvan Institute of Medical Research, na Austrália.

Em cobaias animais, cientistas demonstraram que a molécula imune IL23 é fulcral para o desenvolvimento do osteossarcoma, um cancro ósseo. Alvejando a IL23, os autores do estudo encolheram, com sucesso, tumores de osteossarcoma em ratos.

As descobertas, publicadas na revista Cancer Discovery, revelam uma oportunidade para redirecionar um medicamento existente e trazer uma nova esperança para aqueles que sofrem de osteossarcoma.

“Em 40 anos, não houve qualquer avanço no tratamento para esta forma de cancro. E agora, descobrimos um novo alvo que pode ser modulado com a terapia existente”, disse David Thomas, o principal autor do estudo.

“Esperamos que esta descoberta permita o desenvolvimento de ensaios clínicos que proporcionem melhores resultados para pacientes com esta forma rara de cancro”.

A necessidade urgente de novos tratamentos

O osteossarcoma é um cancro raro mas que, mesmo assim, figura entre os 10 tipos de cancro mais comuns que afetam homens entre os 15 e os 29 anos na Austrália; o osteossarcoma é frequentemente entendido como uma simples dor ou uma lesão crescente e, em muitos casos, é detetado após se ter metastisado para outras partes do corpo.

A taxa de sobrevivência a 5 cinco anos é de 65%.

“A procura por novos tratamentos para o osteossarcoma começou em 2013, quando começámos a investigar fatores de risco genéticos para esta forma de cancro. A partir de estudos de associação em todo o genoma, percebemos que variantes de um gene que codifica a proteína GRM4 estavam frequentemente associadas ao osteossarcoma”.

“Num modelo de osteossarcoma em ratos, investigámos o papel do GRM4, bem como várias moléculas imunes, cuja produção é regulada pelo GRM4. Assim, descobrimos que a molécula inflamatória IL23 era fundamental para a formação e progressão do osteossarcoma”.

Quando os cientistas removeram a IL23 em ratos, observaram que os animais ficaram protegidos contra o desenvolvimento de osteossarcomas. Além disso, quando a molécula foi bloqueada em ratos com osteossarcoma, o crescimento do tumor foi mais lento e, em sinergia com a doxorrubicina, um padrão atual de tratamento para esta forma de cancro, o crescimento do tumor foi ainda mais suprimido.

A equipa analisou biópsias de osteossarcoma humano e descobriu que mais de 70% das amostras tinham níveis significativamente mais altos de IL23 do que o tecido não tumoral.

Como a expressão da IL23 é maior em vários tipos de cancro, os cientistas acreditam que estas descobertas podem ter implicações mais amplas.

Reaproveitar uma terapia existente

As terapias direcionadas à IL23 foram investigadas extensivamente para várias doenças autoimunes, incluindo artrite, inflamação intestinal e psoríase da pele.

“Os medicamentos que bloqueiam a IL23 são aprovados e bem tolerados, e estão disponíveis no mercado para o tratamento da psoríase. Atualmente, estamos a projetar ensaios clínicos para verificar se esses medicamentos podem fornecer resultados de saúde aprimorados muito necessários para pacientes com osteossarcoma”.

Fonte: Eurekalert

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