Search

Medicina de precisão: a nova esperança para crianças e adolescentes

Quase 5 anos depois de ter sido criada para atender crianças e adolescentes no Quebec, no Canadá, a equipa TRICEPS do Hospital Sainte-Justice demonstrou a viabilidade de um programa de pesquisa sobre a oncologia pediátrica através da medicina precisão.

O artigo foi publicado na revista JAMA Network Open.

Todos os anos, em média, 300 crianças e adolescentes morrem de cancro no Canadá; embora os avanços da medicina moderna tenham permitido reduzir radicalmente a taxa de mortalidade dos vários tipos de cancro pediátrico, o progresso estagnou nos últimos 20 anos; cerca de 20% dos cancros infantis desafiam os tratamentos existentes e são fatais.

Na verdade, o cancro continua a ser a principal causa de morte por doença em crianças.

O desafio assumido pelo TRICEPS

Em 2014, o Hospital Sainte-Justine lançou o projeto TRICEPS para combater esses cancros.

O projeto identifica alternativas terapêuticas para crianças e adolescentes para quem o tratamento padrão não funcionou ou que sofreram uma recidiva.

Após uma avaliação à sua viabilidade, o projeto TRICEPS foi aberto a todas as crianças e adolescentes com cancro refratário no Quebec.

Um dos objetivos deste programa de medicina de precisão era reunir equipas de especialistas renomados de várias instituições, que fossem conhecidos pela sua excelência no atendimento pediátrico.

“A importância do perfil genómico no diagnóstico e tratamento dos cancros pediátricos refletem-se na recente decisão da Organização Mundial da Saúde de classificar esses tumores pelas alterações genéticas dentro deles, e não pelo tipo amplo de tumor”, explicou Daniel Sinnett, diretor científico do projeto TRICEPS.

“As terapias direcionadas serão, provavelmente, mais eficazes quando combinadas com anormalidades específicas em células tumorais. Os nossos resultados mostram que a medicina de precisão para tumores pediátricos pode agora ser uma realidade.”

Até o momento, 84 pacientes foram incluídos no programa, incluindo pacientes com tumores hematológicos, sólidos e cerebrais.

Em 87% dos pacientes, o estudo identificou anomalias genómicas que permitiram dar um melhor tratamento ao paciente, seja através de um melhor acompanhamento da doença residual, reclassificação da doença, ou através da aplicação de terapia direcionada ou para orientar o tratamento e identificar opções para o futuro personalizado terapia direcionada.

Essas alternativas terapêuticas são denominadas “personalizadas”, pois as ações propostas serão diferentes para cada paciente, pois as alterações podem ser diferentes de um cancro para outro e de uma pessoa para outra com o mesmo tipo de cancro.

As descobertas podem levar a uma chamada terapia “direcionada”, pois ela procura bloquear especificamente a ação dos genes que causam a progressão do cancro.

A pensar no futuro

Os resultados obtidos até aqui estão a motivar a equipa do TRICEPS, cuja maior ambição é ver estas opções de tratamento a serem oferecidas a todos os pacientes jovens cujo cancro é resistente ao tratamento e ainda mais amplamente a todos os pacientes jovens que foram diagnosticados.

De acordo com os cientistas, este será o caminho para que, no futuro, seja possível prever um futuro melhor para crianças e adolescentes com cancros difíceis de tratar.

Fonte: Science Daily

Explore
Drag