O cancro é uma das principais causas de morte de crianças e adolescentes em todo o mundo.
Em países desenvolvidos, mais de 80% das crianças com cancro sobrevivem, mas esses números descem para apenas 20% em muitos países pobres e em desenvolvimento.
As razões para as menores taxas de sobrevivência nestes países incluem incapacidade de obter um diagnóstico preciso, a terapia inacessível, o abandono do tratamento, a morte por toxicidade e recaídas excessivas, em parte devido à falta de acesso a medicamentos e tecnologias essenciais.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), acredita que abordar cada uma dessas lacunas pode ser altamente eficaz para melhorar as taxas de sobrevivência de muitas crianças.
O que causa o cancro em crianças?
O cancro ocorre em pessoas de todas as idades e pode afetar qualquer parte do corpo.
Começa com mudanças genéticas numa única célula que, depois, cresce descontroladamente. Em muitos cancros, esse crescimento resulta numa massa, ou tumor, que se não for tratado, geralmente expande-se, invadindo outras partes do corpo e causando a morte.
Ao contrário do cancro em adultos, a grande maioria dos cancros infantis não tem uma causa conhecida.
Muitos estudos têm procurado identificar as causas do cancro infantil, mas a verdade é que muito poucos são causados por fatores ambientais ou de estilo de vida, pelo que os esforços de prevenção se concentram em comportamentos que impedirão a criança de desenvolver um cancro evitável enquanto adulto.
Ainda assim, algumas infeções crónicas são consideradas fatores de risco para o cancro infantil e têm grande relevância em países pobres e em desenvolvimento.
Por exemplo, o VIH, O vírus Epstein-Barr e a malária aumentam o risco de alguns cancros. Outras infeções podem aumentar o risco da criança de desenvolver cancro enquanto adulto, daí a importância da vacinação e de outros métodos, como o diagnóstico precoce ou a triagem, que ajudam a diminuir as infeções crónicas que podem desencadear o aparecimento do cancro, seja na infância ou mais tarde.
Diagnóstico precoce
Quando identificado precocemente, é mais provável que o cancro responda ao tratamento, o que resulta numa maior probabilidade de sobrevivência, menos sofrimento e, com frequência, tratamentos menos dispendiosos e menos intensivos.
Melhorias significativas podem ser feitas na vida das crianças com cancro, caso a doença seja detetada precocemente, evitando assim atrasos nos cuidados.
Tratamentos
Um diagnóstico correto é essencial para tratar crianças com a doença, pois cada cancro requer um regime de tratamento específico que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
O acesso a diagnósticos eficazes, medicamentos essenciais, patologia, hemoderivados, radioterapia, tecnologia e atendimento psicossocial e de suporte são, por vezes, injustos, pois variam em todo o mundo.
Cuidados paliativos
Os cuidados paliativos aliviam os sintomas causados pelo cancro e melhoram a qualidade de vida dos pacientes e das suas famílias.
Nem todas as crianças com cancro podem ser curadas, mas o alívio do sofrimento é possível para todos.
Os cuidados paliativos pediátricos devem ser apropriadamente considerados como um componente central da atenção integral a partir do momento em que a doença é diagnosticada e continuada, independentemente da criança receber ou não tratamento com intenção curativa.