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Biópsia líquida com inteligência artificial identifica tumores cerebrais no cancro pediátrico

Uma equipa do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA), em colaboração com o Hopp Children’s Cancer Center Heidelberg – KiTZ (Alemanha), o German Cancer Research Center – DKFZ (Alemanha) e outros centros internacionais, desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial para classificar tumores do sistema nervoso central em biópsias líquidas.

A abordagem, chamada M-PACT (Methylation-based Predictive Algorithm for CNS Tumors), analisa ADN tumoral circulante (ctDNA) no líquido cefalorraquidiano e classifica o tumor com base no seu padrão de metilação do ADN — uma espécie de “impressão digital” molecular. O trabalho foi publicado na Nature Cancer.

O que este método consegue fazer

Num teste de referência, o M-PACT identificou corretamente 92% dos tumores cerebrais analisados. Além disso, a ferramenta mostrou capacidade para:

  • distinguir recidiva de tumores secundários;
  • acompanhar se a doença se está a tornar mais agressiva ou a responder ao tratamento, sem necessidade de informação adicional.

Porque isto é relevante no cancro pediátrico

As biópsias líquidas são uma forma menos invasiva de recolher informação sobre o tumor. No entanto, em tumores cerebrais pediátricos, a utilização desta abordagem tem sido dificultada pela quantidade muito pequena de ctDNA disponível.

Uma diferença deste trabalho é que o M-PACT foi desenhado de raiz para ctDNA (em vez de adaptar classificadores pensados para amostras de tecido), o que melhora o desempenho quando o “input” é baixo.

Como foi treinado

O M-PACT recorreu a uma estratégia de rede neuronal profunda treinada com mais de 5 mil perfis de metilação do ADN, abrangendo cerca de 100 entidades tumorais.

Para além do tumor: o “ambiente” à volta do cancro

Outro ponto destacado é a capacidade do M-PACT para estimar que parte do ADN no líquido cefalorraquidiano vem de células não tumorais (por exemplo, células imunitárias como T e B). Isto pode ajudar a observar como o tumor e o seu microambiente mudam ao longo do tratamento, numa fase em que a recolha de tecido não é habitual.

Ciência em rede

O projeto foi construído com uma amostra grande e bem caracterizada graças a uma colaboração internacional entre várias instituições, considerada essencial para desenvolver e validar a ferramenta em contexto real.

Fonte:  Eureka Alert

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