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Realidade virtual ajuda a revelar novos detalhes sobre tumores cardíacos em crianças

Um novo software de realidade virtual, desenvolvido em Melbourne (Austrália), está a oferecer uma nova perspetiva sobre os tumores cardíacos mais comuns em idade pediátrica. A tecnologia, chamada VR-Omics, foi criada por investigadores do Murdoch Children’s Research Institute (Austrália) e demonstrou ser capaz de detetar atividades celulares anteriormente desconhecidas no rabdomioma cardíaco, um tumor benigno do coração.

O estudo, publicado na revista Genome Biology, envolveu a análise de tecido cardíaco de três crianças com rabdomioma cardíaco. Embora, na maioria dos casos, estes tumores não provoquem sintomas graves, em algumas situações podem bloquear o fluxo sanguíneo, provocando insuficiência cardíaca, dificuldades respiratórias e arritmias.

“O rabdomioma cardíaco pode ser detetado ainda durante a gravidez ou nos primeiros meses de vida, mas pouco se sabe sobre o que causa o seu aparecimento”, explica a investigadora principal, Mirana Ramialison.

O VR-Omics é o primeiro software capaz de visualizar e analisar dados genéticos em ambientes de realidade virtual 2D e 3D. Através desta ferramenta, os cientistas conseguiram identificar padrões genéticos específicos no tecido tumoral, abrindo novas possibilidades para compreender o comportamento da doença.

“O VR-Omics permite criar visualizações tridimensionais das células a partir de grandes volumes de dados de doentes. Isso possibilita uma análise mais completa do tecido humano do que as abordagens tradicionais”, refere Ramialison.

O desempenho do VR-Omics foi comparado com os métodos de análise mais avançados atualmente disponíveis — e superou-os em todas as etapas. Uma das principais vantagens é a sua capacidade para analisar grandes conjuntos de dados, o que o torna especialmente útil em amostras raras, como as de tumores cardíacos pediátricos.

A equipa acredita que esta tecnologia pode abrir caminho para descobertas relevantes noutras doenças pediátricas, promovendo avanços no diagnóstico e tratamento.

O estudo contou também com a colaboração de investigadores do Melbourne Center for Cardiovascular Genomics and Regenerative Medicine (CardioRegen), da University of Konstanz (Alemanha), da Novo Nordisk Foundation Center for Stem Cell Medicine (reNEW), da University of Melbourne e da Monash University (Austrália).

Fonte: Medical Xpress

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