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Teste ao sangue pode ajudar a decidir tratamentos em tumores de células germinativas

Um estudo do Prinses Máxima Centrum (Países Baixos), em colaboração com equipas de Itália e da Eslováquia, sugere que um teste ao sangue poderá ajudar a orientar decisões terapêuticas em tumores de células germinativas quando a quimioterapia standard não resulta bem — um cenário que pode ocorrer em adolescentes e jovens adultos, com impacto direto na qualidade de vida e nas escolhas de tratamento.

O trabalho foi publicado no Journal of Clinical Oncology.

Porque isto é importante

As células germinativas dão origem aos espermatozoides e aos óvulos. As suas células precursoras podem transformar-se em cancro, sobretudo em rapazes e homens jovens, no testículo e noutros locais do corpo.

Nos Países Baixos, são diagnosticadas cerca de 30 crianças por ano com tumor de células germinativas e cerca de 850 jovens com tumores testiculares deste tipo. O cancro testicular é o cancro mais comum em homens entre os 15 e os 35 anos. Em um em 10 destes jovens adultos, a quimioterapia standard não é suficiente; mesmo com quimioterapia em alta dose, metade acaba por morrer.

O que os investigadores procuraram saber

A pergunta central foi: fragmentos de ADN tumoral no sangue conseguem prever melhor o prognóstico e ajudar a decidir se vale a pena avançar com uma quimioterapia muito intensiva?

Para isso, foram analisadas amostras de sangue recolhidas antes e durante a quimioterapia em doentes tratados em hospitais de Itália e da Eslováquia. Os investigadores procuraram ADN tumoral circulante (cfDNA) e sinais genéticos associados a resistência à quimioterapia standard.

Como foi feito o estudo

Foram analisadas amostras de:

  • 69 doentes tratados com quimioterapia em alta dose;
  • 26 doentes tratados com quimioterapia standard.

As amostras foram estudadas com sequenciação genómica de baixa cobertura e os investigadores avaliaram:

  • a fração tumoral (TF) no cfDNA;
  • alterações no número de cópias (CNAs);
  • e compararam estes resultados com um biomarcador já existente, o miR-371a-3p.

Depois, relacionaram estes dados com sobrevivência livre de progressão e sobrevivência global.

Principais conclusões

  • A fração tumoral ultrapassou o limiar de deteção (ou seja, havia ADN tumoral no sangue) em 75% dos doentes tratados com alta dose.
  • Uma fração tumoral elevada esteve fortemente associada a pior sobrevivência, tanto em alta dose como em dose standard.
  • O miR-371a-3p foi mais informativo para detetar presença de doença, mas não foi um bom preditor de sobrevivência.
  • Certas alterações genéticas foram mais frequentes em doentes com pior prognóstico na alta dose (ganhos de 3p, 9q e 11q, e perda de 6q).
  • Subtipos histológicos também mostraram padrões genéticos específicos; tumores compatíveis com histologia extra-embrionária (tumor do saco vitelino e coriocarcinoma) tiveram piores resultados.
  • A quimioterapia em alta dose parece ser mais eficaz do que a quimioterapia standard em doentes com fração tumoral elevada.

O que isto pode mudar no futuro

Os autores sugerem que a análise de cfDNA pode ajudar a refinar a estratificação de risco e apoiar decisões sobre avançar, ou não, para um último ciclo altamente intensivo em casos de recidiva. A ideia é permitir escolhas mais personalizadas e, quando necessário, proteger a qualidade de vida na fase final da doença.

Ainda assim, é necessária mais investigação antes de usar esta abordagem na prática clínica. O próximo passo é confirmar os resultados numa amostra maior, incluindo adolescentes e crianças com tumores de células germinativas.

Fonte: Princess Máxima Center

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