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Comunicar com os pais é parte essencial da segurança nos tratamentos em saúde pediátrica

A segurança na administração de medicamentos em contexto pediátrico não se resume à técnica. Envolve, de forma indissociável, a comunicação com os pais e cuidadores. Esta é a principal mensagem do artigo de opinião de André Ferreira, enfermeiro especialista em enfermagem comunitária e autor do livro Preparação de Terapêutica Farmacológica em Saúde Infantil e Pediátrica.

Na prática clínica, o gesto de administrar um medicamento começa muito antes da sua aplicação. Inicia-se no momento em que os pais procuram respostas e segurança junto da equipa de saúde. Por isso, explicar cada passo, ouvir com atenção e envolver a família é tão importante como calcular corretamente uma dose.

Comunicação que promove confiança e adesão

Muitos pais chegam aos serviços de saúde ansiosos, com dúvidas e receios. Querem saber o que é o medicamento, para que serve, quais os efeitos e como garantir que tudo é feito em segurança. Quando a explicação é clara, com linguagem simples e próxima, a confiança aumenta — e com ela a adesão ao tratamento.

A título de exemplo, traduzir “5 ml de antibiótico” numa linguagem mais prática — como “uma colher de chá cheia” — pode fazer toda a diferença. Esta atenção aos detalhes reforça a segurança do processo e dá aos pais ferramentas para continuarem os cuidados em casa com confiança.

Quando a dúvida compromete o tratamento

É frequente os profissionais encontrarem pais que hesitam em seguir a prescrição por receio da dose ou dos efeitos do medicamento. Se não houver espaço para escutar e esclarecer, a dúvida mantém-se e pode levar a interrupções ou alterações perigosas na administração da terapêutica.

Por isso, a comunicação deve ser encarada como parte integrante do cuidado. Requer empatia, clareza e capacidade de ajustar a explicação ao que cada família consegue compreender. É também essencial criar um ambiente de diálogo onde os pais se sintam à vontade para fazer perguntas — sem medo de errar ou serem julgados.

Cuidar é mais do que tratar

Como sublinha André Ferreira no seu livro, a segurança do tratamento depende não só da precisão técnica, mas também do envolvimento dos pais no processo terapêutico. Um gesto bem executado perde eficácia se não for compreendido. E uma dose certa pode falhar se não for administrada com confiança.

Cuidar, em pediatria, é um ato técnico e relacional. E comunicar bem é, sem dúvida, uma forma de cuidar melhor.

Fonte: My Pediatria

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