Search

Pai permanece durante 3 anos num hospital para cuidar de filho com leucemia

Um “enfermeiro enviado do céu”, é assim que Eric Tomiyuki descreve o seu pai, que durante 3 anos se manteve ao seu lado enquanto o rapaz era sujeito a tratamentos contra uma leucemia.
“Tudo começou quando, aos 7 anos, o meu filho extraiu um dente, o que lhe causou muitas dores. Depois de várias queixas, eu e a minha mulher levámo-lo ao hospital, e foi aí que descobrimos que ele tinha leucemia mieloide aguda, um tipo de cancro do sangue e da medula óssea em que há um excesso de glóbulos brancos imaturos”, conta o pai, o brasileiro Hiroyuki.
Na altura do diagnóstico, em 2007, Eric tinha apenas 7 anos. O rapaz acabou por ficar internado no hospital. Como a mãe do menino estava grávida, foi o seu pai, engenheiro agrónomo, que acompanhou a nova rotina do rapaz, cuidando e incentivando a criança a não desistir da cura, mesmo com as terapias intensas e dolorosas.
Durante o tratamento, o pai chegou a rapar o cabelo para que Eric não desanimasse.
“Ele foi um enfermeiro enviado do céu. Eu nunca tive medo, porque confiei sempre no meu pai”, recorda a criança, hoje um adolescente com 18 anos, livre da doença.
Eric conta ainda que o pai andava todos os dias com um caderno nas mãos, onde anotava as medicações, tratamentos e recomendações, exatamente do modo que os médicos informavam, para que não houvesse nenhum erro.
“Durante 4 meses dormi todos os dias no hospital, e ele esteve sempre ao meu lado. Inclusivamente faltava ao trabalho para que eu não ficasse nem um segundo sozinho, e quando não podia mesmo faltar, chamava logo um familiar nosso para me acompanhar. Ajudou-me em tudo”, contou Eric.
“Ele pedia que eu o levasse passear com a cadeira de rodas para ele não estar sempre no quarto, e eu levava, pois não queria vê-lo triste nem desanimado”, afirmou o pai.
Além disso, como Eric deixou de poder ir à escola, o pai ajudava-o a estudar e fazer os trabalhos de casa; “ele ia à minha escola, ficava a saber o que se dava durante as aulas e depois trazia-me os apontamentos. Incentivou-me sempre a estudar, principalmente biologia”, disse Eric.
E foi no aniversário de Hiroyuki que os médicos deram a este pai o melhor presente de todos: Eric podia sair do hospital, ainda tivesse que continuar a fazer alguns tratamentos.
“Foi uma enorme alegria”, disse o pai, que levou de imediato a criança até um parque, uma promessa feita pelo pai logo no início do tratamento.
Hoje, 8 anos após o diagnóstico e já totalmente recuperado, Eric decidiu que queria formar-se em biologia, a disciplina que mais gostava de estudar com o seu pai no hospital.
“A minha vida passou a ter outro significado pra mim. Valorizo muito tudo aquilo que tenho hoje, porque lembro-me sempre que os meus genes foram ‘programados’ para acabar comigo aos 7 anos, e mesmo assim eu sobrevivi”, disse o jovem.
“Eu fico muito feliz por ele ter decidido enveredar por esta área. Tenho muito orgulho no meu filho”, finaliza o pai.
Explore
Drag