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Dispositivo pode detetar disfunção cardíaca em sobreviventes de cancro infantil

Um dispositivo sem fios foi comparado à ressonância magnética cardíaca na precisão com que foi capaz de detetar disfunção cardíaca em sobreviventes de cancro infantil tratados com quimioterapia com antraciclina. 
Os sobreviventes de cancro infantil são encorajados a fazer uma triagem para a deteção de disfunção cardíaca como resultado da cardiotoxicidade induzida pela antraciclina; contudo, a triagem feita através de uma ecocardiografia pode ser altamente variável e limitada. 
Neste estudo, os investigadores avaliaram a viabilidade de usar um protótipo de um dispositivo sem fios para detetar anomalias cardíacas nesta população de pacientes.
“A comunidade de oncologia pediátrica está a tornar-se cada vez mais consciente de que há novos problemas que podem não se manifestar até décadas após o tratamento do cancro”, disseram os autores da Childhood Cancer Survivorship Clinic, nos Estados Unidos; “uma dessas questões é uma carga maior de doenças cardiovasculares, que pode resultar da exposição a antraciclinas, uma classe de quimioterapia, como parte do seu tratamento contra o cancro”. 
O dispositivo portátil, denominado Vivio, recolhe ondas de pulso e dados da artéria carótida. 
Os dados são depois enviados para um dispositivo móvel, onde podem ser interpretados. 
O Vivio mede a fração de ejeção do ventrículo esquerdo para recolher medidas para a deteção de sinais de função cardíaca anormal. O estudo incluiu 191 pacientes diagnosticados com cancro antes dos 22 anos de idade, que tinham completado o tratamento pelo menos dois anos antes do estudo e que foram expostos à quimioterapia com antraciclina.
“Este estudo é um primeiro passo para pensar em novos paradigmas de monitorização a longo prazo e de prestação de cuidados para sobreviventes de cancro que estão em risco de condições de saúde graves e com risco de vida”, disseram os autores, que acreditam que é importante pensar em abordagens mais pró-ativas e convenientes para a deteção, vigilância e prevenção precoce para ajudar a reverter doenças cardíacas nesta população.
Os resultados, publicados na Clinical Cancer Research, mostraram que a forma de medição do Vivio é comparável a uma ressonância magnética cardíaca. 
Ao usar a ressonância magnética cardíaca como padrão-ouro, o Vivio alcançou uma alta sensibilidade e baixa taxa de falso-negativo para a identificação de indivíduos com disfunção cardíaca.
“Uma possível implementação do Vivio pode ser para a triagem preliminar. Se a função cardíaca do paciente estiver abaixo de um limiar específico medido pelo Vivio, o paciente pode agendar uma avaliação aprofundada. Dessa forma, o Vivio pode manter esses sobreviventes envolvidos e ajudar a reduzir a carga de testes inconvenientes para indivíduos com um coração normal”, concluíram. 
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