Uma equipa do Helmholtz Zentrum München, na Alemanha, conseguiu descobrir os mecanismos pelos quais as natural killer (células NK) – glóbulos brancos do sistema imunológico -, perdem a sua eficácia no combate ao cancro na presença de algumas células tumorais de linfoma (tipo de tumor que afeta o sistema linfático).
O estudo realizado em ratinhos revela que, na presença de tumores de linfoma, as células NK perdem a sua capacidade de combater as células cancerígenas, uma função que pode, no entanto, ser retomada ao fim de poucas horas se as NK forem colocadas num ambiente diferente, segundo um relatório publicado no European Journal of Immunology.
O grupo de cientistas alemães, liderado pelo investigador Ralph Mocikat, concluiu ainda que as células do linfoma conseguem inativar as NK através de duas vias: uma que envolve uma molécula inflamatória específica – a citocina IL-10 -, que desativa indiretamente a célula NK; e outra através da inibição das moléculas ligantes NKG2D, que permitem que as células NK possam unir-se às células tumorais e libertar toxinas.
Para eliminar esta capacidade de resistência dos linfomas, a equipa conseguiu repor a função das células NK, depois de ter descoberto que, numa fase precoce, as NK conseguem emitir sinais para ativar mais respostas imunes anti-tumorais através da produção da citocina conhecida como interferão-gama (IFN-y).
Numa próxima fase, os cientistas pretendem testar o uso da IFN-y ou anticorpos contra a IL-10, com o objetivo de aumentar a resposta anti-tumoral do sistema imunitário.