A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) considera “fundamental” garantir e promover o acesso dos doentes aos cuidados paliativos e assegurar que estes são prestados por profissionais com formação, antes de abrir a discussão sobre a eutanásia.
A posição da entidade surge como resposta ao manifesto “Morrer com Dignidade”, assinado por diversas personalidades portuguesas de várias áreas, desde políticos a cientistas ou médicos, que manifestam a sua preocupação com o sofrimento dos doentes em fase terminal e defendem a despenalização da morte assistida.
Pela voz do seu presidente, Manuel Luís Capelas, a APCP “descredibiliza esta lógica de pensamento”, e defende, por outro lado, “o desenvolvimento e equidade no acesso aos cuidados paliativos e a formação dos profissionais de saúde como prioridade nacional e como resposta à eutanásia”.
Manuel Capelas considera fundamental a promoção de “um amplo e aprofundado debate público sobre a eutanásia” para garantir “uma total elucidação dos cidadãos”, que garanta “uma pedagogia de valores e de princípios que norteiem o debate, para que o discurso não se superficialize em 'slogans populistas'”.
Segundo as últimas estimativas da APCP, em Portugal, existem entre 72 mil e 86 mil doentes que necessitam de cuidados paliativos.