Um grupo de cientistas da Universidade de Coimbra (UC) liderou um estudo internacional que descobriu uma forma de eliminar as células estaminais dos tumores cancerígenos – que estão na origem de muitos casos de resistência aos tratamentos padrão – através da manipulação da sua produção de energia.
A equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que contou com a colaboração de pesquisadores das Universidades do Minnesota-Duluth e Mercer, nos Estados Unidos, explica que o estudo tinha como finalidade identificar a interligação entre os processos de geração de energia em células estaminais cancerígenas e os fenómenos de diferenciação (transformação) celular e resistência a agentes anticancerígenos.
Num artigo publicado na revista Cell Death and Differentiation, os cientistas explicam que, recorrendo a uma técnica de ressonância magnética nuclear (RMN), foi possível fazer uma detalhada análise do perfil metabólico das células estaminais cancerígenas, antes e depois do seu processo de diferenciação, o que permitiu identificar alterações chave da produção de energia.
O projeto tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos últimos seis anos e conclui que “terapias que estimulem a função da mitocôndria podem levar a uma alteração no fenótipo da população estaminal tumoral, diminuindo a sua resistência a terapias convencionais”, refere Paulo Oliveira, coordenador do estudo e investigador do CNC.
Num próximo passo, a equipa espera “investigar de que forma as defesas das células estaminais cancerígenas são diminuídas quando ocorre o processo de diferenciação celular forçado por um aumento da função mitocondrial”, explica Ignacio Vega-Naredo, primeiro autor do trabalho.
O cientista lembra que essa descoberta “permitirá criar uma série de novos alvos para uma terapia mais eficaz contra aquele tipo de células”.