Numa tentativa de ajudar a superar o desconhecimento sobre a realidade dos cuidados paliativos, o 12º Congresso Europeu de Cuidados Paliativos, que teve início esta quarta-feira, 18 de Maio, no Centro de Congressos em Lisboa, e decorre até ao próximo sábado, 21, pretende reunir cerca de 2.500 profissionais de saúde nesta área.
O desconhecimento da necessidade e vantagens dos cuidados paliativos e a excessiva burocratização impedem quase 90 por cento dos milhares de doentes de usufruírem destes mesmos cuidados.
Neste debate científico, que conta com a participação de quase 200 portugueses, serão apresentados diversos trabalhos de investigação, adiantou Isabel Neto, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), e uma das organizadoras do evento, que recorda a necessidade de combater a “ideia errada” de que prestar cuidados paliativos é fazer caridade.
“Não presta cuidados paliativos quem tem vocação, mas quem tem treino. É uma especialidade médica e de enfermagem para aliviar o sofrimento dos doentes no final da vida, que muitas vezes não são dias, são meses ou até anos. É um trabalho feito com base em ciência e humanismo”, explicou.
Os cuidados paliativos têm também como objectivo prestar um apoio aos familiares e cuidadores que sofrem o impacto directo da doença.
O congresso irá insistir na necessidade de investimento na formação, de investimento político real e de alteração de funcionamento do actual sistema. Paralelamente, o encontro pretende informar a sociedade civil e também os profissionais de saúde.