Um relatório publicado na revista Trends in Cancer defende que o combate ao cancro só será possível se a comunidade científica superar oito desafios, o primeiro dos quais se prende com a necessidade de aprofundar o conhecimento atual sobre as mutações genéticas associadas ao cancro para desenvolver melhores tratamentos contra a doença.
O alerta surge de uma equipa de cientistas internacionais que trabalham na área da oncologia e que reforçam que o segundo desafio consiste na necessidade de olhar para cada tipo de cancro como uma doença específica com características muito próprias, que necessita de intervenção diferenciada.
Os terceiro e quarto desafios reforçam a importância de estudar o microambiente do tumor e de aprofundar o papel da epigenética no seu desenvolvimento. Em quinto lugar surge a urgência de criar ferramentas que permitam antever com precisão a resposta dos doentes aos tratamentos de imunoterapia em combinação com outras terapias.
Para os cientistas, o sexto desafio obrigará a um maior conhecimento sobre o gene que codifica a proteína p53, um dos mais frequentemente mutados no cancro, para que este se possa tornar um alvo de novos medicamentos de baixa toxicidade.
Explorar as diferenças identificadas no metabolismo das células cancerígenas a fim de preservar os tecidos saudáveis é o sétimo desafio definido pelos investigadores, que apontam, por último, a necessidade de avaliar se o uso de cobaias é relevante para estudar o cancro em humanos, ou se, por outro lado, as novas técnicas que permitem desenvolver organoides artificiais derivados de células doentes serão mais eficazes a testar potenciais terapias diretamente no tecido humano.