A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e a Ordem dos Médicos solicitaram um pedido de esclarecimentos aos Institutos Portugueses de Oncologia Francisco Gentil (IPO) de Lisboa, Porto e Coimbra e ao Ministério da Saúde sobre a alegada recusa de medicamentos inovadores e mais caros a alguns doentes com cancro, na sequência de uma notícia veiculada pelo Diário de Notícias.
O secretário-geral da LPCC, Vítor Veloso, diz-se surpreendido e preocupado com a situação, lembrando que a associação é a que “representa mais expressivamente os doentes oncológicos e porque existem ligações muito estreitas entre os centros de oncologia”.
A notícia publicada pelo jornal dá conta de que os IPO estariam a recusar disponibilizar alguns fármacos a doentes oncológicos, por estes serem considerados demasiado caros e não terem ainda eficácia comprovada.
Vítor Veloso ressalva que, a confirmar-se a recusa conjunta dos três institutos, esta é uma situação que coloca “em causa o tratamento inovador aos doentes oncológicos”, embora sublinhe que a Liga não esteja de acordo com “despesismo” com tratamentos que estão ainda em fase experimental e que, por esse motivo, não garantem “uma sobrevivência adequada e qualidade de vida ao doente”.
Por seu lado, o bastonário da Ordem dos Médicos fez saber que um dos medicamentos que originou as denúncias relativas à recusa de fármacos oncológicos tem “eficácia comprovadíssima” e representa o “maior avanço” dos últimos anos contra o cancro da próstata, pelo que, a confirmar-se a recusa dos institutos na distribuição do mesmo aos doentes, tal situação apenas poderá ser baseada numa “decisão economicista” do Ministério da Saúde.