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Pesquisa
Um projecto da Fundação Rui Osório de Castro


Vacina contra glioblastoma pode prolongar sobrevivência
2011-03-24
Fonte: Universidade da California

Uma vacina personalizada para cada indivíduo criada a partir do tumor do próprio doente pode aumentar o tempo médio de sobrevida em doentes que sofrem de um tipo específico de tumor cerebral, o glioblastoma mesenquimal, que representa cerca de um terço de todos os casos diagnosticados.

Num estudo ainda recente, o Centro de Cancro Jonsson da Universidade da Califórnia identificou um subgrupo específico de doentes mais propensos a responderem à vacina. A investigadora Linda Liau, responsável pela pesquisa, lembra que esta é a primeira vez que é identificado um subgrupo de pacientes mais propensos a responder a uma imunoterapia.

Num artigo publicado recentemente na revista científica Clinical Cancer Research é referido que a vacina, administrada após tratamentos de cirurgia convencional e tratamentos de radio e quimioterapia, foi associada a um período de sobrevivência média de 31,4 meses, tempo que representa o dobro do máximo de 15 meses apurado até à data.

A vacina em causa é personalizada para cada indivíduo. Após a remoção do tumor são extraídas as proteínas que fornecem os antigénios para criar os alvos da vacina. Depois dos doentes serem sujeitos a radioterapia e quimioterapia, os glóbulos brancos são retirados e cultivados em células dendríticas (células do sistema imunológico que transportam antigénios).

A preparação da vacina a partir deste ponto leva cerca de duas semanas. As células tumorais-dendríticas, criadas em laboratório, são posteriormente injectadas de novo no doente, conduzindo as células T até às proteínas do tumor para que estas possam combater as células malignas.

Os efeitos secundários da vacina foram mínimos, entre sintomas de gripe e pruridos perto do local da injecção, e a mesma mostrou-se efectivamente segura nos testes que avaliaram 23 pacientes incluídos num estudo de Fase I, lançado em 2003. Do total de doentes, cerca de um terço ainda estão vivos, oito anos após o diagnóstico.

Apesar dos resultados positivos, a investigadora principal adverte que estes terão de ser confirmados em estudos maiores e randomizados, anunciando que aguarda ainda um estudo de fase II onde tem sido testada a vacina em doentes com glioblastoma recentemente diagnosticado.

"O corpo pode ter dificuldade em combater o cancro porque o sistema imunológico não o reconhece como um invasor”, disse Liau, que explica que o recurso às células dendríticas é uma forma de “ensinar o sistema imunológico a reagir ao tumor."


 
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