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Pesquisa
Um projecto da Fundação Rui Osório de Castro


Estudo identifica as quatro estratégias de sobrevivência das células tumorais
2018-06-05
Fonte: Eurekalert

As células cancerígenas em crianças tendem a desenvolver-se seguindo quatro trajetórias principais, sendo que duas delas estão ligadas à recaída da doença, segundo uma pesquisa liderada pela Universidade de Lund, na Suécia. 

As quatro estratégias podem ocorrer simultaneamente num único tumor, de acordo com o estudo que foi publicado na Nature Genetics.

Os investigadores mapearam o genoma de células cancerígenas de mais de 50 tumores para identificar as quatro estratégias. O genoma das células cancerígenas evolui de forma frequente, tanto para evitar os mecanismos de defesa do próprio corpo quanto para sobreviver ao tratamento com quimioterapia ou outros fármacos. Quando as células cancerígenas se multiplicam, formam-se mutações e, assim, podem aparecer novos tipos de células tumorais, conhecidas como clones. 

Um desafio ao tratar pacientes é que, dentro de um único tumor, pode haver vários clones diferentes, que individualmente desencadeiam o desenvolvimento do cancro de várias maneiras. Os clones também podem responder à quimioterapia de maneira diferente. Um maior conhecimento sobre como esses clones se desenvolvem é, portanto, uma parte importante para a melhoria do tratamento.

"Queríamos aprender mais sobre como alguns tumores evitam o tratamento e quais as estratégias que as células cancerígenas desenvolvem", explicaram os investigadores. 

As trajetórias de desenvolvimento dos tumores no cancro infantil eram, até agora, desconhecidas; por esse motivo, os especialistas mapearam o genoma de células cancerígenas de mais de 50 tumores de pacientes com tumor de Wilms, neuroblastoma e rabdomiossarcoma. 

Este mapeamento permitiu aos cientistas rastrear os tipos de mutações que desencadeiam o aparecimento de quatro estratégias principais de sobrevivência: tolerância, coexistência, competição e caos.

A tolerância é a fase em que novos clones podem surgir localmente no tumor, mas permanecem no local de origem, sendo que esta estratégia não foi associada à recidiva; a segunda é a coexistência, uma fase em que novos clones crescem juntos com as células tumorais originais, coexistindo em muitas partes do tumor. A terceira é a fase da competição, associada ao aumento do risco de recidiva, em que um novo clone supera a célula tumoral original e depois constrói partes do tumor inteiramente por conta própria. A quarta estratégia, denominada como caos, acontece quando os novos clones sofrem mutações intensas, de modo que uma variedade de tipos de células emerge numa parte específica do tumor ao mesmo tempo; também esta estratégia foi associada ao aumento do risco de recidiva. 

"Estas estratégias são fundamentais, pois dão-nos uma indicação da capacidade evolutiva de um tumor no momento da descoberta. Pacientes com as duas primeiras variantes geralmente têm bons resultados, enquanto as duas últimas estratégias estão associadas ao risco de recaída", lê-se no artigo. 
Se duas das estratégias, competição ou caos, existirem no tumor no início da doença, o risco de recaída é de mais de 50%.

"As mesmas duas estratégias foram encontradas quando analisámos tumores de recaída. Parece que algumas células cancerígenas são programadas desde o início para criar uma recaída. Os tumores recidivados têm genomas que foram alterados radicalmente em comparação com o primeiro tumor do paciente. Assim, concluímos que o primeiro tumor não deve ser usado como para prever o tratamento direcionado em caso de recaída. É necessária uma nova biópsia, pois o genoma do tumor geralmente muda com o tempo", continuaram os investigadores. 

O próximo passo será identificar quais mecanismos direcionam as estratégias de sobrevivência adotadas pelo cancro na fase inicial da doença.

"Se soubermos mais sobre como o ambiente nos tecidos do paciente desencadeia o desenvolvimento de células cancerígenas, podemos influenciar a forma como elas mudam durante o tratamento e talvez prevenir uma recaída”, concluíram os investigadores. 
 
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