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Um projecto da Fundação Rui Osório de Castro


Médica norte-americana fala sobre dificuldades de ultrapassar cancro infantil
2018-03-16
Fonte: Medical Xpress

Como se não fosse complicado o suficiente ultrapassar um cancro sendo criança, muitas vezes, os sobreviventes de cancro infantil têm maior probabilidade de desenvolver dificuldades físicas e emocionais após terem completado o tratamento. 

Smita Dandekar, diretora da Clínica Pediátrica de Sobrevivência do Cancro no Hospital Pediátrico da Pensilvânia, nos Estados Unidos, diz que é importante existir uma conexão entre médicos e jovens sobreviventes.

“Temos a obrigação de garantir que o tratamento a que estas crianças são sujeitas não os magoam, e de que temos medidas suficientes para testar se existirão efeitos secundários tardios decorrentes desses mesmos tratamentos”, disse a médica. 

A instituição criou um programa onde, a partir dos 5 anos de remissão, os jovens sobreviventes visitam anualmente o hospital e são examinados por uma equipa composta por um médico, um coordenador de enfermagem, um neuropsicólogo, um assistente social e um conselheiro genético; “o nosso foco foi tentar capacitar os nossos pacientes através da educação pois, muitos deles, enquanto adolescentes, pensam que são invencíveis".

A equipa utiliza diretrizes de seguimento a longo prazo para cada tipo específico de cancro e regimes de tratamento específicos para examinar os pacientes relativamente a efeitos secundários físicos e emocionais que podem não aparecer até anos depois do diagnóstico ou tratamento.

Com a taxa de sobrevivência global a cinco anos para o cancro infantil em mais de 80 por cento, cada vez mais sobreviventes conseguem atingir a idade adulta, o que aumenta a necessidade de serem conhecidos quais os sinais de alerta físicos e emocionais; os investigadores também estão a aprender, dia a dia, os efeitos secundários a longo prazo mais comuns para diferentes tipos de cancro e tratamentos.

No programa, dependendo do tipo de cancro, da idade do diagnóstico e da terapia administrada, os pacientes podem ter de ser sujeitos a exames cardíacos, musculoesqueléticos e pulmonares. Por exemplo, pacientes que receberam radiação para o tórax são examinados para cancro da mama, enquanto aqueles que foram tratados com radiação abdominal podem ser examinados para casos de cancro do cólon.

Smita diz que a disfunção cardíaca é comum em crianças que receberam certas antraciclinas como parte da quimioterapia, de modo que a triagem inclui frequentemente ecocardiogramas; os jovens sobreviventes também são mais propensos a ter ossos fracos ou a tornarem-se obesos, isto porque “durante o tempo de vida em que era suposto estas pessoas serem ativas e desenvolverem bons hábitos físicos, passaram muito tempo doentes, em terapia, no hospital", disse a médica. 

Os exames de saúde mental podem ajudar as crianças mais velhas a adaptarem-se às lutas sociais ou cognitivas que podem surgir após a sua luta contra o cancro. As crianças que foram sujeitas a quimioterapia, ou radioterapia, na coluna vertebral ou no cérebro tendem a ter uma maior taxa de desafios académicos, e por isso são examinados para deficiências cognitivas. 

Algumas crianças podem ter dificuldade em fazer amigos porque se sentem distantes ou separadas dos seus pares por causa do diagnóstico, enquanto outras podem estar a passar por problemas depressivos ou de ansiedade.

"O objetivo [com este programa] é que os sobreviventes tenham formação e educação suficientes para serem os seus próprios defensores", concluiu a médica.
 
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