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Pesquisa
Um projecto da Fundação Rui Osório de Castro


Oncologista pediátrico lidera maior estudo sobre sobrevivência de crianças com síndrome de Down com cancro
2017-07-12
Fonte: News Wise

Um estudo publicado na revista Blood mostrou os resultados de um tratamento realizado em crianças com síndrome de Down e leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia mieloide aguda (LMA).

As crianças com síndrome de Down têm um risco aumentado de 10% a 20% de desenvolver leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia mieloide aguda (LMA) em comparação com crianças sem síndrome de Down.

Estas crianças são consideradas como tendo um dos maiores riscos de desenvolver leucemia enquanto a maioria das crianças que desenvolvem leucemia não conhece fatores de risco predisponentes.

O médico Jeffrey W. Taub, chefe da Divisão de Oncologia do Hospital do Michigan, nos Estados Unidos, foi o principal investigador do estudo, que analisou 204 crianças, entre 2007 e 2011. De acordo com o especialista, crianças com síndrome de Down e LMA ou LLA têm necessidades especiais e tem havido preocupações relativas ao facto de que estas crianças sofrerem mais efeitos secundários pelos tratamentos em comparação com crianças sem síndrome de Down

Por isso, e segundo os investigadores, os protocolos de tratamento devem concentrar-se mais nas suas necessidades clínicas não só para tornar os tratamentos mais efetivos, mas para tentar torná-los mais seguros.

Além disso, as crianças com síndrome de Down representam um total de 15% de todos os casos de LMA pediátrica, o que é muito significativo, pois este grupo especial representa apenas cerca de uma em cada 800 crianças na população em geral.

O estudo mostrou que a taxa de cura geral dos pacientes com síndrome de Down foi de 93%, o que é significativamente alto, enquanto as mortes por efeitos secundários foram muito baixas; os efeitos mais comuns foram infeções que ocorreram quando a contagem de glóbulos brancos era baixa. Nenhuma criança morreu devido a complicações cardíacas.

Uma parte importante do estudo também abordou a avaliação de um teste conhecido como monitorização de doença residual mínima (MRD), que é capaz de detetar uma célula de leucemia entre 10 mil células de sangue normais na medula óssea. Este é um método mais sensível e preciso de detetar células de leucemia em comparação com a abordagem padrão de examinar lâminas de medula óssea ao microscópio.

Pacientes com nível MRD <0,01% após o primeiro curso de quimioterapia apresentaram taxas de cura excecionalmente elevadas. Os pacientes que apresentaram MRD detetável (> 0,01%) tiveram resultados piores.

Esta foi a primeira vez que um teste de laboratório pôde ser usado para identificar a forma pela qual crianças com síndrome de Down com LMA responderão à quimioterapia. Os pacientes com um teste MRD negativo tiveram taxas de cura de 92,7% em comparação com 76,2% para pacientes com teste positivo.

Com base nos resultados deste estudo, o teste de MRD está a ser usado num novo estudo infantil para crianças com síndrome de Down.

As crianças que têm um teste MRD negativo receberão doses mais baixas de quimioterapia, particularmente a citarabina, para tentar reduzir os efeitos secundários, mantendo elevadas taxas de cura. Os pacientes que têm um teste MRD positivo receberão quimioterapia mais intensiva.
 
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